Polêmica do Whatsapp: As intenções do Facebook

Atualmente, Whatsapp é a maior plataforma de mensagens instantâneas do mundo. Estima-se que possua mais de 1,5 bilhão de usuários ativos, sendo 120 milhões de brasileiros.

Faz 10 dias que o Brasil e o mundo em geral não deixam de falar sobre Whatsapp, sobre a relação entre Whatsapp e Facebook, uma das empresas digitais mais poderosas de todas, e sobre suas novas políticas de privacidade.

O que está acontecendo com esta plataforma?

Vamos resumir como é que esta empresa chegou a estar nas mãos do Facebook para entender o que é que está acontecendo atualmente e por que tanta polêmica. 

Ano 2014: Whatsapp é adquirida pela Facebook

Com um custo de US $16 bilhões, a empresa Whatsapp, que trabalhava de forma independente, foi comprada pela gigante Facebook. Adicionando assim um produto mais ao seu portfólio (já faziam parte do Facebook: Messenger e Instagram).

2017 e 2018: Desentendimentos entre Whatsapp e Facebook

Embora Whatsapp tenha sido comprada pelo Facebook em 2014, os criadores e fundadores da plataforma, Brian Acton e Jan Koum, continuaram trabalhando na empresa. Porém, nos anos consecutivos eles decidiram sair da empresa em 2017 e 2018, respectivamente.

Por quê? Acontece que surgiram uma série de desentendimentos devido a opiniões diferentes em relação à privacidade dos usuários. Enquanto o Facebook considerava o Whatsapp uma plataforma de muito valor para os negócios, os fundadores do Whatsapp estavam preocupados em proteger a privacidade dos usuários. E está claro que os negócios em plataformas sociais poucas vezes respeitam por completo a privacidade de dados dos usuários.

Poderíamos dizer que esses desentendimentos foram apenas o início dos problemas que englobam a polêmica atual.

Ideias de monetização

Como já mencionamos, o Facebook começou a pensar no Whatsapp como uma plataforma para fazer negócios, ou seja, viu nela uma ótima oportunidade de monetização. Assim, surgiram ideias como uma integração completa entre Facebook, Instagram, Messenger e Whatsapp, de forma que cada uma funcionasse individualmente, mas pudessem compartilhar dados e trocar conteúdo.

Logo surgiu a ideia de usar Whatsapp Status de forma similar aos stories do Instagram, como uma forma de introduzir publicidade paga (isto foi o que deu maior força à saída de Brian Acton). Era um fato confirmado, mas embora estivesse prevista a chegada dos anúncios no app no início de 2020, a ideia foi abandonada por motivos ainda controversos.

Agora está prevista a introdução do Whatsapp Pay, que trata-se de uma iniciativa de pagamentos através da plataforma que permite receber e transferir. Basicamente é usar a plataforma de Facebook Pay através do whatsapp, a qual atualmente só está disponível nos Estados Unidos e serve para auxiliar em compras através do Facebook.

Esta última iniciativa ainda está em revisão, porque o Banco Central do Brasil ainda não aprovou esta proposta por falta de medidas consideradas importantes para a viabilidade.

O compartilhamento de dados com Facebook não é algo tão novo

Assim foram surgindo idéias sempre com o objetivo de expandir a plataforma e convertê-la em uma ferramenta de negócios, mas apesar disso tudo até que estava tranquilo. Porém, agora vamos analisar os acontecimentos e a polêmica atual.

Desde setembro de 2016, Whatsapp compartilha dados dos seus usuários com o Facebook. Na ocasião, o WhatsApp colocou abaixo a opção de não compartilhar dados do WhatsApp com o Facebook, com o objetivo de melhorar suas experiências com anúncios e produtos do grupo.

Qual é a diferença agora? Essa pequena mas importante opção de opt-in sumiu. Com a nova atualização este compartilhamento é praticamente obrigatório, uma vez que já não tem opt-out e é necessário aceitar a política para continuar usando a plataforma.

Esses dados podem ser usados para ajudar a “operar, executar, aprimorar, entender, personalizar, dar suporte e anunciar serviços e ofertas de empresas do Facebook”.

Assim explica a nova política de privacidade de dados do Whatsapp

Estes dados compartilhados incluem número de telefone, seus contatos, fotos de perfil e até mesmo o modelo e a marca do aparelho usado. 

Os termos de uso também permitem que o endereço de IP, que identifica a localização do usuário, seja enviado ao Facebook, assim como transações financeiras feitas pelo WhatsApp.

As mensagens trocadas através da plataforma com familiares e amigos continuarão sendo criptografadas e completamente privadas, mas outros dados como os que mencionamos anteriormente serão sim compartilhados.

Cabe frisar que as alterações referem-se ao Whatsapp Business, mas isso não deixa de incomodar as pessoas. A data inicial para esta política começar a valer era 8 de fevereiro, mas devido às reclamações, Whatsapp decidiu mudar essa data para meados de maio.

Conflitos com a LGPD

O principal desconforto que as pessoas reclamam é o fato desta nova política de privacidade não estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados.

A LGPD, que começou a valer em setembro de 2020, oferece direitos às pessoas sobre seus dados, como por exemplo decidir se querem ou não compartilhar os mesmos com sites e plataformas, assim como decidir de que forma desejam que esses dados sejam tratados.

É por isto que os usuários estão descontentes com a nova política do Whatsapp, pois ela não levou em consideração a LGPD. Tudo bem que as mensagens não serão compartilhadas, mas mesmo assim a LGPD estabelece claramente que as pessoas devem e podem ter poder de decisão sobre todos seus dados, não alguns.

Em relação a isto, no dia 15 de janeiro deste ano, o Procon-SP notificou ao Whatsapp e pediu explicações sobre esta nova política. O Procon deu 72 horas ao Whatsapp para explicar como esta nova política está enquadrada na LGPD e no Código de Defesa do Consumidor.

Além disso, o órgão Procon também questionou por que esta política não será aplicada em território europeu. Lá, onde as leis são muito mais rígidas, esta nova política não se aplicará como aqui. Então por que no Brasil sim?

Em conclusão

Se você estava atento a todos os fatos, a nova política de privacidade do Whatsapp é só a confirmação de algo que já estava se cultivando. No momento em que o Facebook comprou o Whatsapp tornou-se óbvio que algo assim ia acontecer.

Com isto não queremos dizer que os atuais fatos em relação à nova política de privacidade são aceitáveis, lógico que as pessoas têm todo o direito de reclamar sobretudo em relação a aplicação da LGPD, mas era de se esperar, pois o Facebook é uma plataforma que vive dos anúncios, da publicidade paga e do compartilhamento de dados, e isso é algo que já foi confirmado com os acontecimentos de Cambridge Analytica em 2014.

Nossa missão não é seguir gerando mais polêmica e sim expor os fatos de forma clara, pois as intenções de monetização e comercialização do Facebook têm sido claras desde o primeiro dia, com todos seus produtos e plataformas.

Ainda não sabemos como é que vai terminar este assunto mas o que podemos dizer é que são muitas as pessoas que estão trocando o Whatsapp por outras plataformas como Telegram ou Signal. Esta última é muito recomendada por pessoas influentes da tecnologia e é nela que atualmente o próprio Brian Acton, fundador do Whatsapp, trabalha desde que decidiu abandonar sua própria empresa e trabalhar na concorrência. 

Agora o dilema está na escolha. O que você prefere? Privacidade e proteção sobre seus dados ou a comodidade de usar a plataforma de sempre e que todo mundo usa?

Vai mudar de plataforma ou vai continuar usando o Whatsapp seja qual for o desfecho desse assunto?

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