Há cerca de 17 anos acompanho de perto a trajetória da Alus IT Security na luta pela cibersegurança.
Desde que assumi o cargo de CMO da empresa, mergulhei ainda mais nesse universo e me apaixonei por um aspecto que considero transformador: a conscientização.
Percebi que, por trás de toda tecnologia, o que realmente faz diferença é o fator humano — o quanto cada pessoa entende o seu papel na proteção dos dados e da própria empresa.
E, observando mais de perto o dia a dia das organizações, percebi algo curioso: muitas acreditam que estão fortalecendo sua cultura de segurança… quando, na verdade, estão apenas reforçando mitos.
Essas crenças equivocadas criam uma falsa sensação de proteção e acabam abrindo brechas — técnicas, mas principalmente humanas.
Neste artigo, reuni 5 mitos que continuam aparecendo em comitês, campanhas e conversas corporativas, e que precisamos superar para amadurecer de verdade a segurança nas empresas.
Mito 1 – “Cibersegurança não é só coisa do TI.”
❌ Falso: A segurança digital não é uma função exclusiva da área técnica.
✅ Verdade: A segurança cibernética é responsabilidade de todos na empresa.
Quando um ataque acontece, ele não impacta apenas sistemas — ele paralisa operações, afeta a confiança dos clientes e ameaça a reputação do negócio.
A diferença entre um problema técnico e uma crise corporativa está em quem estava ouvindo quando o alerta foi dado.
Segurança não é apenas firewall e senha forte — é cultura organizacional.
Mito 2 – “Ter antivírus é o bastante para estar protegido.”
❌ Falso: Ter ferramentas instaladas não garante proteção real.
✅ Verdade: A defesa começa pelo comportamento das pessoas.
Em grande parte dos incidentes, o antivírus estava ativo, o firewall estava funcionando — mas as decisões falharam.
Acreditar que um software resolve tudo é como achar que usar o cinto de segurança elimina a necessidade de frear.
Hoje, os ataques não visam apenas vulnerabilidades técnicas, mas distrações humanas.
A verdadeira defesa começa antes do clique — quando as pessoas compreendem o valor do que estão protegendo.
Mito 3 – “Ninguém caiu na simulação de phishing, então estamos bem.”
❌ Falso: O sucesso de uma campanha de phishing não se mede por “quem caiu”.
✅ Verdade: O que importa é o aprendizado que ela gera.
Campanhas de phishing não são concursos.
Quando realizadas sem contexto, sem segmentação e sem conexão com a rotina da empresa, elas só geram um número bonito no relatório — não consciência.
Não se trata de garantir que ninguém clique,
mas de entender por que alguém clicaria.
Mito 4 – “Conscientização se resume a fazer cursos.”
❌ Falso: Repetir o mesmo conteúdo todos os anos não forma cultura.
✅ Verdade: Conscientização é experiência, não obrigação.
Muitos programas de awareness se resumem a vídeos genéricos, sem conexão com o contexto e os riscos reais da empresa.
O resultado? Colaboradores que assistem, mas não internalizam.
A conscientização deve ser personalizada, refletir o dia a dia da organização e provocar reflexão genuína.
Um bom conteúdo não apenas ensina — muda a forma de pensar.
Mito 5 – “O CISO é o único responsável pela segurança.”
❌ Falso: O CISO não é o guardião solitário da empresa.
✅ Verdade: O CISO é o estrategista que orienta toda a organização a proteger-se.
Quando o CISO é isolado das decisões de negócio, ele acaba sendo um “ISO” sem o “Chief” — esperado para proteger o que nem conhece.
Cibersegurança não é bloquear, é habilitar com responsabilidade.
Uma empresa madura não pergunta ao CISO se pode fazer algo.
Ela pergunta: como fazer isso de forma segura.
Reflexão final
Cibersegurança não é feita apenas de firewalls e antivírus — é feita de pessoas.
E, mesmo sem ser técnica, aprendi ao longo do tempo que a consciência é a camada mais poderosa de proteção que uma empresa pode ter.
Awareness é, para mim, a ponte entre o técnico e o humano: o ponto onde a tecnologia encontra o comportamento, e a cultura se transforma em segurança real.
E é justamente isso que me inspira a seguir aprendendo, a me especializar e a defender essa causa dentro da Alus IT Security — porque acredito que cuidar da consciência digital é também cuidar das pessoas e do negócio.

Por Tamara Esquivel Rincón
CMO da Alus IT Security